sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Canada - o lado francês - 2017







Quebec

Uma cidade murada que não é medieval, sim colonial. Novidade.
Visitei ruinas (não tão antigas) da casa Estèbe (século XVIII) e os porões abobodados no Museu da Civilização.
Museus e Igrejas e os passeios ao ar livre - o terraço Dufferin e a Rue de Petit-Champlain.
Imperdível á o passeio para as cataratas de Montmorency, bem mais bonitas que as de Niagara.

Ottawa

Visitei o Bytown Museu, ao lado da reclusa, onde se diz que comecou a cidade.
Cheio de objetos antigos, roupas, fotos, informaçoes sobre os primeiros habitantes.

O melhor de Ottawa é um doce típico chamado Cauda de Castor - uma espécie de bolinho frito e coberto com geléia de maçã, chocolate, creme de amendoim ou de avelã, com a variação salgada sabor queijo. Tudo de bom.
Ao lado, várias casas tentadoras - a chocolateria Rocky Mountains ao lado da Cacao 70 - imperdível. Aqui o turista tem de cair em pecado de gula.
Há vários museus interessantes, mas os dias estavam maravilhosos, eu só tinha uma tarde, então, desculpem, amados museus, mas eu fiquei andando...

Montreal

Em festa dupla - era aniversário da cidade e (praticamente) véspera do aniversário do país.
Ponto alto - Cirque de Soleil - para quem nunca consegue comprar os ingressos das turnês, aí, onde eles nasceram, compra-se na hora e sem fila.
No inverno o turista pode fazer o passeio pela cidade velho chaado Caminho iluminado noturno - no verão, onde onze horas ainda tem sol...não dá.

Fundada em 17 de maio de 1642 por Paul de Chomedey. A senhora Jeanne Mance fundou o primeiro hospital colonial, o Hôtel-Dieu.
A place d'Youville e considerado o local oficial da fundação.
Visite a Praca das Armas, o passeio público Jacques Cartier, o Campo de Marte, a prefeitura, o Mercado Bonsecours, as ruas Saint-Paul, Saint-Jacques, McGill.
Pontos religiosos: a Basílica Notre-Dame de Montreal e a Capela Notre-Dame de Bon Secours com o Museu Marguerite Bourgeoys.
Andar a pé, aproveitar a festa, tudo de bom.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Winnipeg até Vancouver - 2017

The Canadien pára em Winnipeg e o próximo trem demora 3 dias - esse é o tempo em que o viajnate obrigatoriamente tem de ficar por lá.

O fofíssimo e amistoso esquilo da pradaria.


Uma cidade grande, exposta a ventos fortes e gelados, onde se pode circular por corredores suspensos ou por tuneis subterrâneos que ligam entre si as principais construcões da cidade.
A grande atraçao é o Museu dos Direitos Humanos, um prédio com arquitetura modernosa, irregular, que se destaca do entorno.

Na própria estação é possível visitar o Museu do Trem, com réplicas de trens antigos, maquinarios, fotos e até mesmo um clube para aficionados por modelos de ferrovias.
Condessa de Duferin é o nome da primeira locomotvia que rodou pelas planícies canadenses, construída por M. Baird & Co. Chegou em 1877. Atualmente em exibição no Museu.
Locomotivas a vapor, a carvão e a diesel, além de equipamentos de manutenção diversos estão expostos, sendo permitido entrar e mexer neles, para deleite das criancas.

O Museu de Manitoba é razoavel, assim como o Museu de Belas Artes de Manitoba. Dei azar porque as 13 mil peças de arte inuit estavam encaixotadas para serem levadas a uma nova ala a ser inaugurada em breve...depois de minha partida.

Popular é o passeio por um local historico chamado The Forks, cheio de estátuas, próximo ao rio. Também a Hudson Bay com suas lojas e o mercado local é interessante.
Recomendo a Biblioteca para os dias chuvosos.



Afastado do centro, há o Assibinoie Zoo e Parque - onde se podem ver filhotes de ursos polares órfãos resgatados e vários outros animais locais. Uma gracinha é o esquilo das pradarias, espiando de suas tocas, inquietos, por toda parte. Nao confundir com os cães da pradaria, um outro roedor parecido, no entanto maior. O Assibinoie tem muitos locais que só abrem na primavera, como o local das borboletas, e praticamente todas as lanchonetes. Um passei muito apreciado pelos mais jovens é a terra dos dinossauros, onde réplicas mecanicas em tamanho natural simulam o som e o movimento desse répteis.

De um lado do Rio Vermelho temos Winnipeg; do outro, Saint-Boniface, onde se fala francês.

Sobre a ponte um retaurante bem simpático, onde você come apreciando a vista.



Em Saint-Boniface há a catedral do mesmo nome, a prefeitura (ou subprefeitura), a universidade, o Museu, pequeno mas com objetos bem conservados, alem da Casa de Gabrielle Roy.
Gabrielle Roy (1909 - 1983) foi uma romancista canadense, nascida em Saint- Boniface, autora de diversos romances, como Bonheur d'occasion, ganhador do premio Femina em 1947.
Sua casa é hoje um museu aberto para visita em apenas alguns meses do ano.

No hotel, experimente assistir o canal local - Aboriginal Peoples Television Network.

Minha experiência - cheguei com 7 graus, chuva e vento - no dia seguinte 28 graus e sol.
Hospedei-me no Delta Winnipeg - não cobraram por meus interurbanos e ofereceram taxi de cortesia até a estação, na partida. Disseram que é sempre assim entre segunda e sexta-feira.

Não existem pontos de táxis, tem de ser tudo pela internet. Também os ônibus funcionam pelo sistema de telefone - você liga e diz que está no ponto. Quando não há passageiros, eles simplesmente não circulam - o que imagino que deva ocorrer quando nunguém descer do trem.
Portanto, compre um chip canadense, é questão de sobrevivência. Ou ande quilômetros pela floresta Assibinoie ao voltar do zoológico, com eu fiz - afinal, estava um lindo ensolarado dia.

Em Kamloops e Saskatchewan eu parei pensando que eram cidades pequenas. Ledo engano. Sao enormes e pouco hospitaleiras - sem trasnporte publico decente, taxis caros, tudo é longe, se ficar no centro da cidade o turista não via conhecer nada, e o próximo trem só passa em dois dias. Grande decepcão foram os museus situados dentro das comunidades indígenas que eu pretendia ver, estavam os dois fechados para reformas! Se for lá, vá no auge do verão e telefone primeiro para garantir que vai encontrar as atracões abertas!


Kamloops - o rio Thompson visto do Riverside Park


Toronto - a grande cidade.
Horrorosa, suja, barulhenta, uma grande metrópole. Quando passei por lá estava alagada, o lago interditado por conta da mare alta. 


Vi o Primeiro Correio - local histórico, bastante interessante. Tipo viagem no tempo.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Madeira Story Center - um pouco da história do arquipélago da Madeira

A 900 km ao sul de Potugal e a 700 km a oeste da África, o arquipélago da Madeira inclui  a ilha da Madeira, a ilha de Porto Santo, as Desertas e as Selvagens.
Sua origem é vulcânica, está sobre um "ponto quente" geológico, local de encontro entre duas placas tectônicas. Supõe-se que a primeira erupção aconteceu há 14 milhões de anos, originando Porto Santo, depois, há pouco mais de 5 milhões de anos, outra erupção originaou os diversos vulcões que deram origem às placas de basalto sobre as quais se formou a ilha principal.
Há sinais de ocupação da ilha na Idade do Bronze e na Idade Média, possivelmente por grupos de navegadores desgarrados que aí foram parar.
Gregos, romanos e mouros do norte da África tinham conhecimento da existência da ilha da Madeira.

Em 1418, o navegador João Gonçalves Zargo foi atingido por uma tempestade e desviado de sua rota até Porto Santo. Dali se avistavam nuvens mais adiante, e como os marinheiros supunham estar no limiar do mundo, diziam que estavam vendo os vapores que subiam do inferno. Em 1419, Zargo retornou para explorar o local e descobriu a ilha principal do arquipélago.

Durante os séculos XV e XVI houve um comércio intenso entre a ilha de Madeira e Flandres. Destacou-se o flamento Jean D'Esmerald, que arrendou terras e prosperou, recebendo de D. Manoel em 1511 o título nobiliário da casa real e o nome de João d'Esmeraldo.

Em 1508, Funchal foi elevada a cidade. A principal renda provinha da cana de açúcar. A seguir, a produção de vinho. Estabeleceu-se na ilha uma próspera feitoria (entreposto comercial).
A água de Madeira origina-se de nascentes naturais que ficaram armazenadas entre as cinzas vulcânicas. 

O agricultor genovês Rafael Catlaneo introduziu em 1580 o sistema de levadas - aquedutos ou canais murados que conduzem as águas para baixo. As primeiras eram projetos particulares e era preciso pagar aos proprietários para receber a água. Atualmente há outras, públicas, costeadas e mantidas pelo governo, de acesso a todos os habitantes da ilha. Construídas de início pelos escravos, em locias íngremes e perigosos, custaram muitas vidas; atualmente servem também de trilhas para passeios turísticos.
Também nessa época começou o sistema de socalços - terraços - como método de aproveitar melhor as encostas para plantio.
Por 60 anos a Madeira, bem como Portugal, ficou sob o domínio espanhol.
Em 1570 os jesuítas fundarma um colégio e um mosteiro. Introduziram as castas de uvas Sercial e Verdelho e produziram o famoso vinho "malvasia" (as cepas Malvasias são originárias da Grécia). Foram expulsos da ilha em 1760.
Em 1776, o vinho utilizado para brindar a declaração da independência americana foi o Madeira, tal era sua popularidade.
Difícil de ser abordada, devido aos fortes ventos e tempestades, os navios ancoravam ao largo e desembarcava-se em pequenos botes até a ilha. Foi construído um pilar como ideia de facilitar o desembarque das cargas, o Pilar de Banger, em 1798, um total fracasso, que ficou sendo utilizado como farol.

E, adivinhem quem também passou por aqui? Isso mesmo, ele, o capitão Cook! Em 1798, comprou 12 mil litros de vinho e desembarcou uma expedição para estudar a ilha durante sua estadia.
As navegações tinham um custo enorme, por iso era lógico aproveitá-las o melhor possível. Viajavam com Cook cientistas da Royal Society para observar o cruzamento de Vênus com o sol que ocorreria em 3 de junho de 1769, e além de astrônomos, havia a bordo também artistas e cientistas de vários ramos, que estudaram a flora e a fauna de Madeira.

Em 1803, três ribeiras transbordaram e inundaram a ilha, arrebentado parte do muro de defesa da cidade e provocando centenas de mortes. Muitos ficaram detidos nos andares superiores de suas casas. O engenheiro Reinaldo Oudinot foi chamado para organizar a canalização das ribeiras.
Isabella de França, em 1850, visitou a ilha e pintou diversas quarelas, encantada com a paisagem. Em seu diário, ela descreve o dia a dia de Madeira em todas as formas que lhe foi possível observar. Seus registors foram publicados com o título  Um romance madeirense.


Os bordados de Madeira - em 1889, época em que o trabalho era difícil, Elizabeth Phelps, filha de um mercador de vinhos, começou a vender seus trabalhos, a princípio em privado, depois através de exportações para a Inglaterra, Alemanha e America. A empreitada envolveu cerca de 2500 mulheres madeirenses e tornaram célebres os bordados da ilha.

A Madeira começou a modernizar-se. estabeleceram-se cabos (telegráficos) submarinos ligando o Brasil a Lisboa, através de Madeira e Cabo Verde.
Visitantes célebres:
Churchill - em 1950 passou férias na ilha, recuperando-se de uma gripe e pintando em Câmara dos Lobos.
Sissi, a princesa da Áustria - passou na ilha o inverno de 1860, visita até hoje lembrada.


Floresta de laurissilva - considerada patrimônio mundial pela UNESCO, originou-se no período terciário.


sábado, 25 de março de 2017

Funchal - Jardim Santa Catarina

À entrada do Parque Santa Catarina está, é claro, ele, Afonso I.
Cultuado em todo o país.




Detrás deste lago, há um outro jardim, há o Jardim do Palácio Presidencial, menor, paga-se apenas um euro para entrar, mas eu dispensei. Até a semana anterior à minha visita, a visitação era gratuita.
Sou meio alérgico a dar dinheiro a governos.


                                



Mulungu, árvore nativa do...Brasil. (Erythrina speciosa)

  








A estrelícia, flor da ilha da Madeira.



Cisnes, sempre lindos. 


Plantas secas, retorcidas, lutando com os fortes ventos.




Local ideal para caminhar ao nascer e ao findar o dia.
Passeie por aqui todas as manhãs e todas as tardes.
Escolhi de propósito o hotel aqui pertinho.





Guimarães - Portugal


O primeiro rei de Portugal, Afonso I ou Afonso Henriques, em 1139 transformou o Condado Portucalense no país que foi reconhecido em 1143 como Reino de Leão e Castela pelo Tratado de Zamora. Nos anos seguintes, outras terras se anexaram até formar o país como o conhecemos hoje.


Chega-se a Guimarães e em uma manhã passeia-se pelo Centro Histórico, em meio a árvores, praças, flores. Para quem se interessa pela história de Portugal, há muito o que ver: igrejas, museus, bibliotecas monumentos históricos. Nesse caso, é recomendável ficar alguns dias aqui, pesquisando.
Para quem quer só passear e sentir o gostinho acolhedor de uma cidade medieval, meio dia por aqui é o bastante, inclusive para experimentar as tostadas de Guimarães, docinho delicioso à base de creme de ovos e aí pode escolher entre a versão massa folhada e a coberta de farinha.
Aqui comi um empanado de leitão.
Diálogo tipicamente português do tipo pela língua nos desentendemos.
Eu - quais são os sabores?
Vendedora - Leitão, frango, presunto.
Eu - Quero um de porco.
V - Porco não temos, não comemos porco.
Eu - Pode repetir os sabores, por favor?
V - Temos leitão...
Eu - Isso, Leitão.
E fico sabendo que em Portugal leitão e porco sào bichos diferentes.



Meu lado arquiteto aprecia as varandas e as fachadas antigas.


Vou colecionando fotos de árvores pelo caminho.





 Do castelo de Guimarães, avista-se o Paço dos Duques de Bragança, os dois mais procurados passeios turísticos do Centro Histórico de Guimarães.





Passeando por ruelas estreitas, ladeiras íngremes e


parques e praças.


É cedo, ainda há poucos turistas por aqui, o sol está suportável.



Mais um outro ângulo desta bela árvore avistando-se o Paço dos Duques de Bragança ao longe.

Começa a primavera, estou na rota das amendoeiras.
Com os pezinhos felizes de caminhar e caminhar. 



Para rir um pouquinho - viagem à Portugal em 2017

TAP - cardápio vegetariano

No balcão de embarque o funcionário confirmou a requisição do cardápio vegetariano.
A bordo me serviram no almoço carne moída com legumes e picadinho ao molho madeira (dois pratos de carne na mesma refeição, sim) e à tarde recebi sanduíche de carne de leitão.
No café da manhã havia uma seleçao de frios, incluindo fiambre e presunto.
De cada vez, o comissário de bordo entregava-me a bandeja e explicava: "Como a senhora solicitou cardápio vegetariano, fique à vontade para solicitar a troca do prato".

PS - A comida da TAP estava deliciosa. Incluindo docinhos portugueses de sobremesa. Docinhos, no plural! Da próxima vez, se houver opção, é voar pela TAP e esquecer o jejum do dia do vôo.

Recepção do hotel - após um atraso de sete horas por conta do aeroporto paralisado.

Hotel, funcionário - Estranhei a senhora não ter-se comunicado comigo.
Eu - Tentei por diversas vezes, telefonei do celular, do telefone do aeroporto com cartão, inclusive outro passageiro português fez a ligação do celular dele para tentar ajudar.
H - Para que número a senhora ligou?
Eu - Para o número que consta no seu voucher.
H - Esse é o numero fixo. Nós não atendemos o número fixo durante os finais de semana. A senhora deveria ter ligado no meu telemóvel.
Eu - Não vejo onde está o número do telemóvel.
H - Não vê porque não consta do voucher nem está no site. O telemóvel é uma linha privada, pessoal.
Eu - Não havia um funcionário aqui na recepção?
H - Sim, havia, eu fiquei aqui o dia inteiro.
Eu - Sem atender o número fixo?
H - Sim, porque no final de semana não atendemos o telefone fixo, apenas os chamados no número pessoal.
Bem, eu havia passado as últimas 24 horas olhando painéis e sendo jogada de gate para gate. Prudentemente escolhi recolher-me ao quarto e degustar o bolo de mel com vinho da Madeira, cortesia da casa para os hóspedes.

Ilha da Madeira - vários restaurantes - a sopa do dia.

Andei para lá e para cá por uma semana e sempre a mesma coisa, nos restaurantes mais simpáticos por onde passei:
- Qual é a sopa do dia?
- Sopa de legumes.
No primeiro dia tomei, uma deliciosa sopa de cenoura.
- Qual é a sopa do dia?
- Sopa de legumes.
No segundo dia, experimentei o peixe espada.
- Qual é a sopa do dia?
- Sopa de legumes.
No terceiro dia, exclamei:
- A sopa do dia é sempre a mesma?
(pensei - era mais fácil colocar no cardápio sopa de legumes)
- Não, senhora, a sopa do dia é sempre diferente.
- Mas, como é diferente? Todo dia eu pergunto e a resposta é sempre a mesma: sopa de legumes.
- Mas, minha senhora, a sopa é sempre de legumes, mas os legumes são diferentes a cada dia!
Assim, voltei a jantar a cada dia uma sopa igual mas diferente - caldo de mandioquinha, de cenoura, de ervilhas...

PS - sopa de gomos = sopa de vegetais/ legumes/ brotos.

Outras expressões que eu não conhecia:
exame à vista - exame de vista
peúgas = meias
explicador = professor

Ou, como disse o Pepetela, em uma das conversas do Festival Literário de Madeira:
- Nunca entendi essa questão do acordo ortográfico, para que esse acordo se estamos aqui a nos desentender há mais hora ?